quinta-feira, 1 de abril de 2010

«um nada» & «um tudo»


Sabes, a vida surpreende-nos sempre mais do que pensavamos. Paramos no tempo, rasgamos recordações, deitamos fora momentos, e no final de contas o que é que ainda nos resta? Damos pouquíssimo valor a tudo, damos pouquíssimo a valor a nós mesmos. Não nos auto-valorizamos, fazemos de nós tapetes rolantes em que a vida passa tão depressa, quanto as pessoas passam para outro. É-nos particularmente difícil enfrentar a realidade, preferimos viver na escuridão à procura de uma solução quase inexistente que nos baralha os sentidos e aconchega o vazio que guardamos em nós. Não somos nada, porque no fundo nos resumimos a isso mesmo, a um nada que nem sequer chega a ser tudo. Quando será que o tempo vai acelerarar a fundo e não nos deixar pensar nos problemas? Será que isso só vai acontecer quando já não tivermos hipótese de voltar atrás? Eu espero. Eu espero por ele, assim como espero pelos sorrisos que imploram por nascer, de «um nada» que amanhã será «um tudo». Eu espero.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

-


(...) Por vezes a magoa reside em nós com tanta força, que achamos impossível voltar a gostar de alguém. Talvez porque o medo não foge, e tenta esconder-se entre todos os passos errados que tentamos não dar, ou porque simplesmente aprendeu a fazer parte de nós. Talvez por isto, talvez por aquilo. Ficamos admirávelmente surpreendidos quando passados anos a fio, o coração começa novamente a bater forte e destemido, a cortar-nos a respiração, a desejar estar onde nem sempre estamos. Gostar, nem sempre é relativo. Há sempre alguém, que por trás das cortinas nos mostra ser aquilo que sempre procuramos em alguém; que nos mostra que afinal vale a pena esperar, que afinal a vida faz algum sentido. É disto que falo, quando falo de mim e de ti. É de um sentimento que nasceu num «virar de esquina» e que hoje nos faz felizes, pelo simples facto de existir. É algo nosso, algo que nunca vou apagar em mim; algo que me faz sorrir e ter o sorriso que tu sempre esperas de mim.




terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Às vezes;



Às vezes é preciso saber esperar para dar o passo correcto. Às vezes é preciso esperar pelo tempo, que nem sempre é meigo. Às vezes é preciso partir, e deixar para trás as memórias. Às vezes é preciso cair, errar para saber a hora certa de erguer a cabeça. Às vezes é preciso perder, para se saber ganhar. Às vezes é preciso fazer o mal, para se saber dar significado ao bem. Às vezes é preciso passar a bola ao adversário, e admitir a falha. Às vezes é preciso sorrir, quando nos pedem para chorar. Às vezes é preciso ter coragem, quando só conhecemos o medo. Às vezes é preciso sermos nós próprios, quando já só nos reconhecemos como sombras. Às vezes é preciso saber dar valor a um sorriso. Às vezes é preciso saber o momento de fechar a porta. Às vezes é preciso avançar, quando apenas nos sentimos resgatados no tempo. Às vezes é preciso ir longe, para saber que temos tudo o que precisamos aqui tão perto.

sábado, 9 de janeiro de 2010

.




Encontro-me diante o silêncio da tua alma, estou a cinco minutos de Paris, e as malas da mãe ainda estão por fazer. Vou trocar o lápis pela caneta, vou apressar-me, estás há tempo demais à minha espera no aeroporto com a minha fotografia rasgada na mão. Queres juntar as peças comigo, mas o tempo meteu-se entre nós (mais uma vez). Ora sarcástico e rude, ora ternurento e veloz. Talvez seja o tempo que não me quer levar até ti, ou o avião que dá voltas a mais a uma nuvem repleta de sonhos. A tua voz, arrepia-me. O teu toque, congela-me. O teu silêncio, mata-me. O teu nome, chama-me. E o avião não parte, não nos deixa alcançar os cinco minutos perdidos no tempo, com o relógio a fazer um «tic-tac» insurtecedor e a distanciar-nos no coração. Limpas as palavras, devolves-me as lágrimas e voltas para casa. Levas-me na mão, levas-me contigo. O tempo não espera mais por nós, mas eu sei que tu esperas por mim; assim como eu ainda espero por ter o teu sorriso... O teu sorriso, (quase) perfeito.