quinta-feira, 1 de abril de 2010

«um nada» & «um tudo»


Sabes, a vida surpreende-nos sempre mais do que pensavamos. Paramos no tempo, rasgamos recordações, deitamos fora momentos, e no final de contas o que é que ainda nos resta? Damos pouquíssimo valor a tudo, damos pouquíssimo a valor a nós mesmos. Não nos auto-valorizamos, fazemos de nós tapetes rolantes em que a vida passa tão depressa, quanto as pessoas passam para outro. É-nos particularmente difícil enfrentar a realidade, preferimos viver na escuridão à procura de uma solução quase inexistente que nos baralha os sentidos e aconchega o vazio que guardamos em nós. Não somos nada, porque no fundo nos resumimos a isso mesmo, a um nada que nem sequer chega a ser tudo. Quando será que o tempo vai acelerarar a fundo e não nos deixar pensar nos problemas? Será que isso só vai acontecer quando já não tivermos hipótese de voltar atrás? Eu espero. Eu espero por ele, assim como espero pelos sorrisos que imploram por nascer, de «um nada» que amanhã será «um tudo». Eu espero.


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