
Encontro-me diante o silêncio da tua alma, estou a cinco minutos de Paris, e as malas da mãe ainda estão por fazer. Vou trocar o lápis pela caneta, vou apressar-me, estás há tempo demais à minha espera no aeroporto com a minha fotografia rasgada na mão. Queres juntar as peças comigo, mas o tempo meteu-se entre nós (mais uma vez). Ora sarcástico e rude, ora ternurento e veloz. Talvez seja o tempo que não me quer levar até ti, ou o avião que dá voltas a mais a uma nuvem repleta de sonhos. A tua voz, arrepia-me. O teu toque, congela-me. O teu silêncio, mata-me. O teu nome, chama-me. E o avião não parte, não nos deixa alcançar os cinco minutos perdidos no tempo, com o relógio a fazer um «tic-tac» insurtecedor e a distanciar-nos no coração. Limpas as palavras, devolves-me as lágrimas e voltas para casa. Levas-me na mão, levas-me contigo. O tempo não espera mais por nós, mas eu sei que tu esperas por mim; assim como eu ainda espero por ter o teu sorriso... O teu sorriso, (quase) perfeito.

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